Glossário do flip

Estudo de viabilidade

O estudo de viabilidade é a conta que você faz antes de comprar pra saber se o flip fecha: junta o valor de revenda, todos os custos e o retorno esperado num lugar só e responde a única pergunta que importa, "esse negócio dá dinheiro no prazo e no risco que eu topo?". É o que separa investir de apostar.

Todo flip começa, ou devia começar, por um estudo de viabilidade: a análise que diz, antes de você pôr um centavo, se aquele imóvel fecha a conta. Não é uma formalidade, é a ferramenta de decisão que responde "compro ou passo?". Como o lucro do flip está na compra, o estudo é feito antes do lance ou da proposta, nunca depois.

O estudo monta a operação inteira num fluxo só, e a conta vai de trás pra frente. Começa pela saída: o valor de revenda, quanto o imóvel vende depois de pronto, estimado por comparáveis já reformados. Desse número você desconta, em ordem:

  • o preço de compra do imóvel;
  • o custo da reforma (orçado, com referência de custo por metro como o CUB e o SINAPI);
  • os custos de aquisição: ITBI e registro sempre, mais a escritura na compra de mercado (no leilão a carta de arrematação dispensa a escritura, mas entra a comissão do leiloeiro), além das dívidas que acompanhem o imóvel;
  • os custos de carrego enquanto o dinheiro fica preso (IPTU, condomínio e, se financiou, os juros);
  • a corretagem na venda;
  • o imposto sobre o lucro (o ganho de capital).

O que sobra depois de tudo isso é a margem. E o mesmo cálculo, invertido, entrega o teto de compra: o máximo que dá pra pagar e ainda sobrar margem.

Se a compra é financiada, o estudo muda de forma: na aquisição você desembolsa só a entrada, não o valor cheio, e soma os custos do banco (a avaliação e os seguros), com os juros entrando no carrego. É a alavancagem, e ela pesa direto no ROI e na TIR.

Com o fluxo montado, o estudo mede o retorno por três ângulos, porque nenhum decide sozinho: o ROI (quanto você ganha sobre o que investe), o payback (em quanto tempo o capital volta) e a TIR (o retorno traduzido em taxa ao ano, que leva o prazo em conta). E os três se medem contra a mesma régua: o seu custo de capital, a TMA. Um flip só é viável quando a TIR supera a TMA e o VPL é positivo. Se o retorno não bate o custo do dinheiro, o estudo está te dizendo pra passar.

Um bom estudo não trabalha com um número só, trabalha com cenários. O valor de revenda pode vir abaixo, a reforma pode estourar, a venda pode demorar. Por isso o estudo sério roda um cenário pessimista (vende por menos, gasta mais, demora mais) e confere se ainda sobra margem. Se o flip só fecha no cenário otimista, ele não fecha. É essa margem de segurança que faz do estudo uma proteção, e não uma profecia.

No fim, o estudo de viabilidade é o que separa o flipper do apostador. O apostador compra porque gostou do imóvel e torce pra dar certo; o flipper compra porque a conta fechou antes, com folga pra errar. Fazer esse estudo com honestidade, sem inflar o valor de revenda nem enxugar os custos, é o trabalho que garante que o lucro esteja mesmo na compra.

Perguntas frequentes

O que é um estudo de viabilidade de flip?

É a análise que você faz antes de comprar pra saber se o negócio dá lucro: junta o valor de revenda, todos os custos e o retorno esperado, e responde se o flip fecha no prazo e no risco que você aceita.

Quando faço o estudo de viabilidade?

Antes da compra, sempre. Como o lucro do flip está na compra, é o estudo que define o teto de compra e diz se você dá o lance, faz a proposta ou passa.

O que precisa entrar na conta?

O preço de compra, o valor de revenda (por comparáveis), o custo da reforma, os custos de aquisição (ITBI, registro e a escritura, ou no leilão a comissão do leiloeiro, já que a carta de arrematação dispensa a escritura), as dívidas que acompanhem o imóvel, os custos de carrego (IPTU, condomínio, e os juros se for financiado), a corretagem na venda e o imposto sobre o lucro. Se financiar, você desembolsa a entrada na compra e soma os custos do banco. Só depois de tudo isso aparece a margem.

Como sei se o flip é viável?

Quando sobra margem depois de todos os custos e o retorno supera o seu custo de capital: TIR acima da TMA, VPL positivo. E quando isso se mantém no cenário pessimista, não só no otimista.

Qual o erro mais comum num estudo de viabilidade?

Inflar o valor de revenda e enxugar os custos pra fazer a conta fechar. Um estudo honesto usa comparáveis reais, orça a reforma com folga e testa o cenário ruim. Se o flip só fecha no melhor caso, não fecha.